[Resenha] Cartas de amor aos mortos


Título Original: Love letters to the dead
Autora: Ava Dellaira
Editora: Seguinte

                Laurel esta em uma nova escola, no primeiro ano do ensino médio, o que já é bastante complicado. Porém, o último ano foi de grandes mudanças na vida da garota: a morte da irmã, a separação dos pais, viagem da mãe para o outro lado do país e a mudança para a casa da tia Any, mexeram com toda a estrutura e principalmente com os sentimentos da menina. Levar uma vida inteira separada de May, sua irmã e a pessoa que Laurel mais ama na vida, é quase surreal.


                Logo no primeiro dia de aula, a professora passa uma lição de casa bem interessante: escrever uma carta para alguém que já morreu. É através desse trabalho escolar que a Laurel embarca em uma viagem de auto descobrimento, na qual ela expõe seus sentimentos e usa os conflitos das personalidades escolhidas para falar sobre os próprios sentimentos. Embora ela não entregue o trabalho à professora, esse hábito torna-se automático para Laurel relatar sua vida através dessas cartas e com isso a cada dia as páginas do caderno vão sendo preenchidas de experiências e principalmente de sentimentos.


                Aos poucos, a garota passa a superar a dor pela perca da irmã e começa a se abrir novamente para o mundo. A sua aproximação de outras garotas da escola, cria um novo círculo de amizades que a faz se reerguer aos poucos, até o ponto em que ela acha confortável para enfim revelar seu maior segredo.

                Não vá esperando que “Cartas de amor aos mortos” é um livro estilo punk rock e com muitas loucuras, já que algumas personalidades que aparecem ao longo da narrativa tiveram um estilo de vida muito louco. Aqui nós temos mais uma busca da protagonista para superar as próprias tristezas e atravessar os próprios oceanos. Muitas vezes, nos preocupamos tanto com aquilo que os outros vão pensar ou achar de nós, que nos esquecemos de olhar para nosso interior.


                Para Laurel a lição de casa que a professora passou serviu como uma terapia, na qual ela passou a fazer relatos de sua vida de maneira bastante aleatória, revelando um verdadeiro quebra-cabeças de seu cotidiano. Assim mesmo somos nós. Quantas vezes desejamos ter uma pessoa para quem desabafar e acabamos expressando nossos sentimentos através de textos. Essa atitude acaba se tornando um momento tão profundo que se torna parte da nossa rotina, os diários virtuais ou não estão aí para nos provar isso.

                Além da tragédia pela qual a protagonista passa, Ava Dellaira procurou abordar temas muitas vezes considerados tabus em nossa sociedade. Esses assuntos foram trabalhados com bastante sutileza e em uma linguagem que não expressa preconceito, mas que apresenta para nós o quanto a sociedade é hipócrita e ainda esta agarrada a questões do passado. Sem contar que, os temas falam sobre questões comuns a qualquer pessoa e que em algum momento poderá fazer parte de nossas vidas.


                Adorei o fato da história ser narrada através de cartas, já que isso não obriga o escritor  a fazer um relato linear e objetivo do que aconteceu de verdade com a Laurel e a May. 


       Obrigada por acompanharem meu trabalho. Não se esqueçam de seguir as redes sociais do blog e o canal do Youtube (Clique aqui para se inscrever). Bjoxxx e até a próxima =) 

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