[Resenha] A lente de Marbury


Título original: The Marbury Lents
Autor: Andrew Smith
Editora: Gutenberg

                Jack tem 16 anos e tudo que ele mais deseja no momento é curtir as férias de verão da escola. Seu melhor amigo, Conner é o companheiro de todas as aventuras e juntos eles resolvem dá uma grande festa para comemorar o primeiro fim de semana do verão. Jack foi criado pelos avós e tudo que ele sempre desejou iria  acontecer dali a cinco dias: sair de Glenbrook, sua cidade natal. Junto com o amigo, ele iria passar duas semanas na Inglaterra para aproveitar o tempo livre, conhecer a antiga escola em que seu avô estudou e quem sabe até se preparar para organizar o que fosse preciso estudar na escola St. Atticus.

                O problema é que durante a festa Jack fica extremamente bêbado e perde a linha. Sem querer ficar na cada do amigo por causa do barulho e da quantidade de gente ele resolve voltar para casa, de madrugada e a pé. Mas, essa ideia não foi nem um pouco boa, já que o garoto é sequestrado por um maníaco que o droga e faz coisas terríveis com ele. Mas, Jack consegue escapar e contar para Conner a terrível experiência que viveu nas mãos do sequestrador, que jura matar o homem que torturou Jack.


                Pouco tempo antes de viajar para Inglaterra, na noite anterior, Jack e Conner estão voltando para casa quando veem o carro do sequestrador. Disposto a vingar o amigo e com raiva, Conner acaba partindo para cima do agressor, que morre. Assustados com tudo o que aconteceu na última semana, os garotos juram segredo e um recomeço para quando chegaram a Inglaterra.

                Porém, ao contrário do que os garotos esperam, o que aconteceu à Jack foi apenas o começo de fatos estranhos. Em Londres, um homem estranho entrega ao garoto um par de óculos cujas lentes o transportam para um lugar totalmente novo e diferente: Marbury.

                Esse mundo paralelo que se abre é um lugar que está em guerra e completamente desolado, em que para ficar vivo, é preciso fugir. Lá Jack se torna o único responsável por dois garotos que nunca conheceram outro contexto de vida sem ser o de lutar pela sobrevivência. Além de se preocupar com os garotos, o jovem fica extremamente mexido ao perceber que em Marbury seu melhor amigo, Conner é o seu pior inimigo.


                As idas à Marbury a responsabilidade pelos garotos e o receio de ter que matar o melhor amigo fazem com que Jack deseje e ao mesmo tempo não queira embarcar para esse universo paralelo. Ao mesmo tempo, o mundo que ele sempre conheceu como real lhe surpreende com novas descobertas e principalmente, por continuas a correr, passando as horas e os dias como se tudo estivesse normal.

                É impossível ler “A lente de Marbury” e não fazer comparações com o contexto social em que estamos inseridos. A começar pelos protagonistas e seu desejo de viver e não querer ficar acomodado em sua realidade, seja aqui (mundo “real”) ou no “universo paralelo” que se abre. As cenas do sequestro, abuso, tortura e assassinato em que Jack e seu opresso estão envolvidos são extremamente detalhadas e assustam. Aqui, cabe uma reflexão principalmente para os homens, sobre o quanto deve ser traumatizante uma experiência de abuso (físico ou moral) para uma mulher.


                Outra comparação que pode ser feita é relacionar os óculos que levam a Marbury a alucinógenos e as drogas mais pesadas e a dependência que Conner e especialmente Jack desenvolvem em relação a elas. O garoto chega a ter crises de abstinência por ficar alguns dias sem usar as lentes, aqui é um clássico cenário explorado nos filmes, livros e qualquer outra abordagem sofre o tema: a dependência química, que se transforma em rotina para superar as frustrações emocionais e físicas.


                “A lente de Marbury” é o primeiro livro de uma série, mas não é o primeiro do Andrew Smith publicado no Brasil. Autor de “Minha metade silenciosa” que também fala sobre o drama da rejeição na adolescência, ele possui nove romances juvenis publicados, sendo o primeiro deles em 2008. 

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