[Resenha] Como se fosse magia


 Título original: Como se fosse magia
Autora: Bianca Briones
Editora: Gutenberg

                Eva está completamente perdida. Após lançar seu último best-seller, ela está com um bloqueio criativo que já dura quase um ano. O problema é que ela já tentou de tudo para voltar a escrever, mas os seus queridos personagens resolveram decretar greve e sumiram da sua vida. Só que ela não pode se dá ao luxo de esperar a boa vontade deles, já que o prazo para entregar o livro novo para editora está chegando ao fim e os leitores não param de pressioná-la para saber o desfecho da história.


                Empenhado em fazer sua melhor amiga e cliente voltar a escrever, Thiago que é o agente literário de Eva, sempre incentiva a autora ir atrás de novas aventuras, conhecer outras pessoas e se abrir mais para o mundo. Para ele, o que levou a amiga a esse bloqueio criativo foi o término do último relacionamento amoroso, ou melhor a falta de um relacionamento duradouro na vida dela.

                Apesar de ser super famosa e ter seus livros publicados em diversos países, a vida da Eva nunca havia sido fácil, ou tranquila. Pelo menos, não até conhecer o Thiago. Desde criança, a moça via os personagens dos seus livros como pessoas de verdade, o que levou a família a achá-la louca e aos “amigos” se afastarem dela. Por isso, ainda muito nova, ela deixou a casa dos pais e foi trabalhar como garçonete na lanchonete de um cursinho pré-vestibular. Lá ela conheceu o Thiago e juntos eles se tornaram uma verdadeira família.


                Os traumas do passado ficaram marcados para sempre na vida da autora e até hoje suas companhias preferidas são: Thiago, dois gatos e a Netflix (seu mozão). E mesmo com toda fama, sucesso e convites, Eva prefere ficar em casa e passar o tempo nas companhias que mais gosta. Apesar de Thiago sempre protestar.

                Mas, de repente as coisas começam a mudar na vida de Eva e tudo aquilo que ela havia escrito em seus livros começa a acontecer de verdade em sua vida. Até o dia em que ela presencia um assalto, cuja vítima é ninguém menos que Enzo, o personagem principal dos livros que ela escreveu. O problema é que o rapaz está sem memória e a única pessoa que pode fazer com que ele recupere a vida que possuía antes é a Eva.


                Assim a autora passa a viver um completo dilema, pois ao mesmo tempo em que ela quer ajudar o rapaz, a reencontrar sua família e amigos, as semelhanças físicas e de caráter do rapaz o fazem ser exatamente igual ao Enzo, que além de protagonista, é o ideal de namorado que todas as mulheres podem sonhar. A semelhança do rapaz com o personagem é tanta que até mesmo o Thiago e algumas pessoas que leram os livros e encontram Eva e Enzo juntos, acham que ele é o personagem também.


                Sobre a história de “Como se fosse magia”, eu achei que ela aconteceu de maneira extremamente rápida e foi direto ao ponto do que precisava ser contado, o que é ótimo. Se a autora queria contar uma história e sabia exatamente a maneira como fazer para que as páginas do livro não fossem maiores que o necessário, maravilha!


                O livro é um chick-lit nacional e o primeiro que li da autora, que estourou com a série “Batidas Perdidas” (Verus) e é uma das autoras do livro de contos “As fases da Lua” (Gutenberg). E mesmo ele tendo uma grande repercussão e ser adorado por milhares de fãs, não consegui gostar da história como pensei que gostaria. Adoro livros chick-lit e me divirto horrores com a mistura de romance e comédia, mas infelizmente esse livro só me conquistou nas últimas páginas.

                Acho que o teor de comédia usado pela autora poderia ter sido mais amplo, não ficando restrito apenas ao Thiago e seus comentários sarcásticos. Além disso, os dramas apresentados tratam de temas bastante polêmicos (como louca, tortura psicológica e homofobia familiar) e que estão super presentes em nosso cotidiano. Aqui também podemos vê que amigos podem muitas vezes nos salvar do isolamento e da exclusão que o nunca nos obrigou a viver, transformando-se em nossa verdadeira família.



                A forma como Bianca Briones terminou a história à deixou bem amarradinha e com todos os pontos que precisam de desfecho concluídos. A história possui um enredo interessante, com personagens legais e que nos passam a sensação de que mereciam ter suas histórias contadas, porém em alguns pontos da Bianca precisa trabalhar com um pouco mais de calma, o que não significa arrastar a história, apenas dá tempo ao leitor para compreender aquela situação, antes de virar a página. O fato dela ter alternado o ponto de vista dos personagens enquanto contava a história foi uma doa sacada, já que nos permitiu vê os sentimentos de “criadora” e ‘criatura” em seus diversos momentos. 

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