[Resenha] Enquanto a Bela dormia


Titulo original: While Beauty Slept
Autora: Elizabeth Blackwell
Editora: Arqueiro

     Elise está ouvindo a bisneta contar a história da Bela Adormecida para os irmãos. Isso seria uma cena que passaria quase despercebida do cotidiano da velha senhorinha, se ela não tivesse estado presente no momento em que essa fábula/ conto de fadas aconteceu de verdade.

     Ainda criança, Elise conheceu a miséria devastadora que a varíola pode causar. A doença que transforma pessoas em verdadeiros esqueletos humanos deformados, foi cruel ao atingir toda a família da menina. Filha bastarda, a jovem foi criada por um distinto homem do campo que casou com sua mãe. Mesmo sem muitos relatos do passado da mãe, a menina sempre soube que ela havia trabalhado o palácio como costureira e ansiava sair da fazenda em que vivia para morar no palácio.


     Elise foi criada de uma maneira diferente as outras moças do campo, sua mãe lhe ensinou etiqueta e outros modos que poderiam ser bastante úteis caso a garota fosse trabalhar no palácio. Porém, o fator principal que destacava Elise das outras crianças da região em que vivia, era o fato dela ter aprendido a ler e a escrever.

     Quando a varíola bateu a porta da fazenda, Elise foi a primeira a sucumbir ao mal, sendo depois seguia por seus irmãos e sua mãe. Durante a doença, a menina passava muito tempo em um estado de “transe”. Ao acordar e perceber que sua mãe estava quase morrendo, vítima da doença, a menina tentou ajudá-la de todas as formas e em troca a mãe lhe entregou duas moedas ouro e mandou que ela procurasse Pellig, sua melhor amiga durante o tempo em que foi   costureira no palácio.

       A garota deixou a fazenda em que fora criada e foi para  casa da tia Agna, a irmã da sua mãe, que terminaria de prepará-la para a vida na corte. Nessa época Elise tinha 14 anos e teve seu primeiro contato com o amor, já que se apaixonou por Marcus o filho do sapateiro, que morava embaixo da casa da tia dela. Mas, como o rapaz era muito tímido e Elise não sabia o que sentia por ele de verdade, a moça deixou seus sentimentos de lado e foi morar e trabalhar na corte.

     Desde o primeiro momento em que chegou ao castelo, Elise ficou impressiona com toda a riqueza e grandiosidade do local. Com uma recomendação para ser entregue a Strª Tewkes, uma espécie de governanta do palácio, a menina começou a trabalhar como auxiliar de camareira na grandeza do reino. Ela servia diretamente a Rainha Lenore e deveria manter sempre todas as ladeiras acessas e os urinóis vazios.


     É aí que a história de Elise tem seu caminho cruzado com a história da Bela Adormecida. A Rainha Lenore desejava ter um filho a bastante tempo e como não era mais uma jovenzinha tinha receio de não produzir um herdeiro legítimo para o Reino. Assim, ela tornou-se uma das súditas mais fiéis de Millicent, uma das tias do Rei e que era capaz de produzir remédios e fórmulas capazes de cura as mais variadas doenças, inclusive a infertilidade da Rainha.

      O fato é que após seguir as orientações da feiticeira, a Rainha engravidou e uma nova esperança surgiu para o Rei e todos os moradores da Corte. Sentido-se a responsável pela gravidez da Rainha Millicent começa a tecer ameaças ao reino e por causa disso é banida pelo Rei de todas as terras e aliados do reino. Elise que passou a observar tudo o que era relacionado a velha senhora e a tentar proteger a Rainha de qualquer maldade da bruxa, também precisou lidar com a tentativa de abuso do irmão do rei, a descoberta de quem era seu verdadeiro pai e principalmente, abdicar de seu verdadeiro amor, devido a sua nova função: a de acompanhante da Rainha.

      O tempo passa e muita coisa acontece na vida de Elise, uma jovem camponesa que poderia ter sido apenas mais uma serviçal da corte, se não tivesse se destacado e mostrado o quanto poderia ser importante na criação da pequena Rosa, a herdeira legítima no reino. Diferente da tradicional história do conto de fadas, aqui a mulher é que desempenha o papel de verdadeira heroína, salvando a pessoa mais importante do reino.

      Outra comparação que podemos fazer é que enquanto na história “tradicional” o que levou todo o reino a ficar parado durante muito tempo foi o sono enfeitiçado da bela princesa. Aqui, o verdadeiro motivo para tal “sono” é revelado: a varíola, uma doença que naquele tempo ficou conhecida como peste negra é o verdadeiro motivo para essa súbita devastação do reino.

      E como estamos e uma época em que as discussões feministas estão se ampliando, não posso deixar de relacionar a personagem principal com uma mulher forte, que busca seus sonhos e que apesar de viver em uma época tão antiga, foi dona do seu próprio destino. Claro que, o contexto social em que a história se passa é completamente diferente do nosso atual, mas Elise corre atrás dos sonhos  dela e não se permite ser submetida a certas imposições sociais. Aliás, a Millicent também. Mesmo sendo a “vilã” da história, ela é o resultado de imposições patriarcais e machistas que lhe foram impostas. 

      Obrigada por acompanharem meu trabalho. Não se esqueçam de seguir as redes sociais do blog e o canal do Youtube (Clique aqui para se inscrever). Bjoxxx e até a próxima =) 

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